A vida não é feita de felicidade.
Ela é como uma colcha de retalhos, com pedaços coloridos de felicidade e outros escurecidos de tristeza e dor. Meu coração anda apertado como se um gigante o tivesse em suas mãos e o espremesse de vez em quando por puro cinismo... Ontem, houve alegria e tristeza mesclada num mesmo dia num degradê intenso de vida que vai do ocre ao maravilha!
Sinto-me "pouca", como muitas vezes, para comportar tanto e tantos sentimentos. Minha respiração falha quando o pensamento foge para o lado dos problemas e preocupações, das perdas e da saudade. Então, eu o puxo de volta para a realidade cheia de motivos para gratidão... para o sorriso e a voz doce dos meus netos, para a saúde e a vida dos que amo, para o fato de eu estar plena de minhas faculdades mentais e ter paz de espírito e consciência tranquila.
O que me dói mais do que tudo é a capacidade de me colocar no lugar do outro e ver (sentir) tanto sofrimento. O que me alegra é chegar em casa depois de um dia útil de trabalho e ainda sentir disposição para me ocupar, carinhosamente, em fazer felizes as pessoas que Deus me confiou!
Fernanda Bega.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Pra Deus, o melhor
Há alguns muitos anos, num tempo em que eu tinha mais fé, não digo em Deus, mas na humanidade, pensei em compor canções para o ritual sagrado da Missa. Eu tinha a pretensão de fazer uma para cada momento, do canto de entrada até o de despedida. Claro que tive a adorável parceria do meu irmão, Beto Zonzini, nessa ousadia...
Por fim, se bem me recordo fiz 3 letras das quais duas entraram para o folheto da igreja que frequentávamos na ocasião (a do ofertório e a da comunhão) e de lá para outros folhetos como acontece com essas músicas, numa tradição oral. Nem tenho nenhum folheto desse e nem achei os rascunhos das letras prontas... A canção do ofertório foi minha preferida e fala muito de como eu gosto de rezar, segue aqui os versos que me recordo, cantando:
Pra Deus, o melhor
(canto do ofertório)
Senhor eu te dou o melhor de mim
O melhor que eu puder
Ainda que eu seja imperfeito
Com erros e pretensões
De mim, eu te dou apenas o bom, o certo, o puro, o leal
Todo amor que eu tiver eu te dou
Meu amor até o final
Senhor, eu te dou o melhor de mim
O mais raro que eu tiver
Ainda que eu tenha imperfeições, vaidades e ambições
De mim, eu te dou apenas o bom, repentes de bem sem igual
Toda vida que eu tiver eu te dou
Minha vida até o final
Nosso sonho se realiza, nossa vida tem mais valor
Quando a gente entrega o coração
Dia a dia pra Deus com amor.
sexta-feira, 31 de julho de 2015
Não será a mesma coisa, mas será algo
Quando as pessoas se reconciliam, quer seja um casal, amigos ou parentes , os outros costumam dizer que a relação “nunca mais será a mesma”... essa expressão é fortemente carregada de sentidos e até procede. Mágoas se perdoam, mas não são esquecidas. A verdade é que se a relação não será a mesma, será outra.
Mil possibilidades se abrem quando você renova um relacionamento com foco no perdão mútuo e aceitação do outro e como diz o sábio filósofo Projota:
o ser humano é falho
hoje mesmo eu falhei
ninguém nasce sabendo
então me deixe tentar.
Claro que se é fato que a relação não será a mesma, também é fato que será diferente e pode ser do jeito que vocês a construírem, sem os erros do passado. O que conta é o amor, o carinho e o sincero propósito de fazer melhor. E, lembrem-se, outra relação é melhor que relação nenhuma ou nada. Invista no amor e na amizade, sempre haverá alegria nisso.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Mais histórias sobre a Dona Leny
Meu pai tinha um funcionário que era da doutrina espírita e tinha por hábito distribuir presentes e cestas de natal aos pobres, pedindo doações em grandes lojas e mercados ou até de pessoas físicas caridosas. Nos anos 80, não sei bem a data, mamãe combinou uma parceria com ele e começou a cadastrar as famílias necessitadas em nossa região. Muitos estranharam pelo fato dela estar ajudando uma ação espírita, sendo ela tão atuante e engajada na comunidade católica, mas nem para ela, nem para ele, isso fazia diferença. O que importava era de verdade o natal farto e feliz que podiam proporcionar para aquelas pessoas.
Chegando próximo ao natal, minha casa ficava lotada de bolas, bonecas, carrinhos e produtos alimentícios e nós ajudávamos, pouco eu confesso, a separar por família o tipo e a quantidade de brinquedos e alimentos. Depois, os que moravam perto vinham buscar em nossa porta e os mais distantes e com dificuldade de locomoção, nós mesmos íamos entregar ou o funcionário do meu pai. Pura alegria. Minha mãe não ficava cansada, ficava feliz!
Nenhum dos dois estava divulgando o Centro ou a Igreja, mas a solidariedade. Não ia junto com as cestas o nome da instituição e sim um cartão de Feliz Natal. Nenhum dos dois tinha tempo para ficar discutindo as divergências de dogmas religiosos e cada um continuou professando a sua fé, em particular. Tenho certeza, no entanto, que Deus olhou para os dois com carinho... Não me recordo o nome daquele funcionário do papai, mas Deus sabe bem.
Entre os mais jovens da família, do bairro, da sociedade enfim , minha mãe pode ser apenas uma velhinha que pouco sai de casa, inativa e dependente.
Para mim, ela é um exemplo de força, doação e desapego material. Das dores da velhice, a pior delas não é a perda da memória do idoso, mas a perda da memória de muitas pessoas que se esquecem tudo o que o idoso fez de bom e útil pela vida afora.
terça-feira, 21 de julho de 2015
Sobre ter netos...






























Algumas vezes, depois que meus filhos cresceram e começaram a alçar seus voos mais distantes, eu sentia uma nostalgia e uma certeza que, no fundo, eram tristes. A idéia de que os melhores anos da minha vida já tinham realmente passado e que nada que viesse pela frente, nenhuma alegria que a vida reservasse poderia se comparar aos anos da infância dos meus filhos.
Foi então que tive netos.
E os netos são uma alegria indescritível e um bônus da vida; é como se Deus me dissesse, num decreto : tu criaste os filhos que te confiei com todo o zelo e responsabilidades necessários, muitas vezes mal tendo tempo de sorrir com eles... pois, com seus netos, poderás sorrir e amar sem o peso da total responsabilidade por sua educação e formação. Serás feliz novamente, por merecimento.
Obrigada, Senhor, esta vida é uma aventura imperdível!
Fernanda Bega
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